sexta-feira, agosto 18, 2017

AS IRMÃS DE GION (Gion No Shimai)

Ter visto apenas cinco filmes de Kenji Mizoguchi é muito pouco, se pensarmos em uma carreira longa, que inclui vários filmes da época do cinema mudo, provavelmente alguns perdidos, mas se pensar que em 2016 pude ver quatro filmes deste fantástico cineasta, já é motivo para comemorar. Até porque cada filme visto é uma descoberta de uma nova joia. Pela amostragem até então feita por mim, todos os filmes vistos eram todos dos anos 1950, sua última década de vida e a década com mais filmes cultuados.

E como neste período sua tendência era a criação de filmes que explorassem a tragédia de uma maneira mais intensa e exacerbada, não deixa de ser feliz e mais suave poder ver AS IRMÃS DE GION (1936), que tem um registro mais leve, embora seja mais uma obra que lida com sensibilidade com o drama das mulheres na sociedade japonesa. Em especial o drama das gueixas, que seria visto com muito mais tristeza e desencanto em A VIDA DE O'HARU (1952). Como meu conhecimento da obra de Mizoguchi é ainda muito restrito, acredito que ainda vou topar com outros filmes que abordam a situação da gueixa.

Mas uma coisa já podemos dizer: em 1936 Mizoguchi já era o cara! Em AS IRMÃS DE GION (1936), a trama até lembra um pouco os romances de Jane Austen, só que transposta para o mundo das gueixas. E a personagem mais fascinante é justamente a gueixa manipuladora, a irmã mais jovem das duas, a mais bonita. A outra, um pouco mais apagada e triste, se deixa levar pelo amor que sente por um velho homem falido. A trama é contada de maneira breve e é impressionante. Há também umas tomadas bem ousadas, um pouco longas e cheias de força e significado. Por isso, desde o começo há sempre a impressão de que estamos vendo algo muito especial. E de fato estamos.

A marcante fala final da personagem mais jovem, Omocha (Usuzu Yamada), sobre o absurdo de existir a profissão de gueixa, depois de ela passar por uma situação terrível, é certamente a expressão de uma indignação do próprio cineasta, que nunca se conformou com o fato de terem vendido sua irmã para uma casa de gueixas quando a família estava passando por uma situação financeira muito delicada. O tratamento brutal de seu pai com sua mãe e sua irmã também foram fundamentais para que ele defendesse sempre as mulheres em seus filmes. Sentimos esse amor e esse cuidado em cada um de seus filmes, mesmo aqueles em que os protagonistas são principalmente os homens.

Em AS IRMÃS DE GION há espaço para o amor para as duas irmãs retratadas. Por mais que a mais velha, Umekichi (Yôko Umemura), possa seja julgada como boba por boa parte da plateia pelo seu total desapego ao dinheiro e total amor por um homem que nada tem a lhe dar de conforto, já que está falido financeiramente, não é assim que Mizoguchi a apresenta, embora sua melancolia diminua bastante sua luz e a personagem da irmã mais nova, cheia de truques para ser esperta em um mundo de homens, seja muito mais fascinante. Devia já ser nos anos 1930, continua sendo nos dias de hoje. Quanta beleza esse cineasta foi capaz de extrair em forma de arte de seu sofrimento pessoal e de sua empatia com as mulheres.

segunda-feira, agosto 14, 2017

O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS (The Beguiled)

Embora possamos dizer que O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS (2017), de Sofia Coppola, é uma nova releitura do romance pouco conhecido de Thomas Cullinan, o mesmo que deu origem ao filme homônimo de Don Siegel de 1971, é muito difícil acreditar que as intenções de Sofia não fossem a de colocar seu trabalho junto ao longa estrelado por Clint Eastwood, trazendo questões pertinentes ligadas à força da mulher na sociedade machista construída ao longo dos séculos.

Assim, parece complicado se desligar da versão de Siegel, até pelo impacto, como thriller, que a produção setentista tem até hoje, embora quem não viu o filme de Siegel até possa ver a versão de Coppola como algo à parte, único, independente. A intenção da diretora parece ser provocar, mudar o ponto de vista da trama. Não vemos mais a história pelos olhos do soldado ianque ferido que é desejado por mulheres de todas as idades de um internato de garotas na Virginia, na época da Guerra Civil Americana. No filme de Siegel, ele consegue tirar proveito dessa situação, como se estivesse numa loja de doces. Ao mesmo tempo, o que acontece a seguir com ele é um pesadelo terrível.

O trailer da nova versão, ganhadora do prêmio de melhor direção em Cannes, infelizmente não soube esconder a parte trágica do que acontece com o tal soldado quando ele adentra aquele território de mulheres que se veem mudadas e excitadas com sua presença. Em entrevista, Sofia Coppola disse que fez seu filme para as mulheres e para seus amigos gays. Faz sentido, principalmente na cena em que Nicole Kidman, a dona do internato, banha o corpo nu e inconsciente do soldado (Colin Farrell) e sente o calor do desejo.

Três gerações de atrizes - Nicole Kidman, Kirsten Dunst e Elle Fanning - se comportam de maneira diferente diante daquele homem. Mas todas elas se sentem bastante atraídas por ele. A mais velha parece ter uma reputação a zelar, mas tenta se aproveitar do fato de mandar naquele lugar; a do meio vê naquele homem uma passagem para a felicidade do amor romântico; já a mais jovem é impulsiva o suficiente para jogar o seu charme e avançar o sinal sem a menor culpa.

Por mais que estejamos diante de um filme que trata do desejo de diferentes mulheres por um homem, O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS é também um filme sobre o corpo objetificado de um homem, de como a aparente fragilidade feminina pode esconder uma força - e até uma maldade - que o homem não imagina que terá que sofrer. Trata-se de uma obra feminista, como já era o primeiro trabalho da diretora, AS VIRGENS SUICIDAS (1999), mas é também um filme que procura sua própria beleza nas imagens através da luz natural da fotografia de Philippe Le Sourd, dos figurinos sóbrios das moças do internato, em um colorido "feminino" que também sabe lidar muito bem com o vermelho vivo. O que é natural. Afinal, a mulher não sangra todo mês?

sexta-feira, agosto 11, 2017

CORPO ELÉTRICO

E a primeira sessão organizada pela Aceccine (Associação Cearense de Críticos de Cinema) foi um sucesso. O filme escolhido, e exibido no último domingo, dia 6, foi CORPO ELÉTRICO (2017), de Marcelo Caetano. A sessão, lotada e com muita gente que ficou de fora, sem poder assistir a essa première, contou com a presença do diretor para um debate muito enriquecedor sobre a obra e sobre as questões que ela levanta.

Trata-se do primeiro longa-metragem do diretor, que já trabalhou como assistente de direção de cineastas como Kiko Goifman, Hilton Lacerda, Gabriel Mascaro e Anna Muylaert. Logo, ele faz parte dessa nova geração de ótimos realizadores que trazem uma saudável inquietação para a tela e, em consequência, para a audiência.

O diretor, no debate, comentou que assistiu bastante FALSA LOURA, de Carlos Reichenbach, como um exemplo de trabalho que dialoga bastante com o seu filme – Caetano afirmou que seu filme-farol é ANJOS DO ARRABALDE, também do Carlão. Assim, no que se refere ao trabalho em uma fábrica e à busca urgente do prazer no pouco tempo livre que resta a esses personagens, há, sim, uma conversa com esses dois cinemas que demonstram amor pelos menos favorecidos pela sociedade e que trabalham por muitas e muitas horas diariamente.

Diferente do cinema de Carlão, no entanto, o trabalho de Caetano tem uma preocupação (ou interesse natural) por um tipo de cinema-verdade, que flerta com o documentário e de diálogos mais realistas. A primeira cena, em que vemos o protagonista Elias (Kelner Macêdo) contando um sonho que teve envolvendo o mar traz uma intimidade que conquista e fascina o espectador logo no início, e que demarca o território de aproximação de corpos que será uma constante em todo o filme, a partir da relação que Elias estabelece com o universo ao redor.

Há quem vá estranhar no filme o modo como os personagens se aproximam uns dos outros de maneira tão intensa, ainda mais levando em consideração que há uma intenção de dar voz aos grupos gays mais marginalizados, como é o caso, principalmente, do núcleo familiar de Wellington (Lucas Andrade), constituído de pessoas que trabalham no entretenimento da noite, nas boates. O filme, inclusive, traz nomes como Marcia Pantera, Mc Linn da Quebrada e outras conhecidas de quem acompanha o trabalho de transformistas da noite paulistana.

O filme frustra algumas expectativas, o que sinaliza um flerte com a vida real. Há, por exemplo, o caso do migrante africano que chega até a fábrica e que desperta o desejo de Elias mas que é algo que acaba não se concretizando. Há uma fuga do amor romântico em todo o filme, tipo de amor que seria opressor, segundo o diretor.

No entanto, a alegria de viver e a liberdade de estar com quem quiser de Elias acabam, eventualmente, trombando com uma melancolia que nasce dessa necessidade (e dessa facilidade) que o personagem tem de estar sempre perto de alguém – não necessariamente em busca de sexo fácil - e isso funciona como uma mola para que a conclusão seja carregada de uma espécie de medo de Elias de não querer ficar só. Mas isso só torna a obra ainda mais rica e complexamente interessante.

sexta-feira, agosto 04, 2017

GRAVE

Há vários filmes sobre a chegada da maturidade na juventude, principalmente trabalhando no registro mais realista, seja usando o drama ou a comédia. Mas usar o cinema de horror para tratar o tema, e de maneira inteligente, pode ser muito recompensador. É o caso de GRAVE (2016), da cineasta francesa Julia Docournau, que também funciona como um ótimo drama de horror sobre canibalismo. Quando a narrativa e a atmosfera conseguem sustentar muito bem o filme, sem que seja preciso explicar metáforas ou coisas do tipo, já podemos dizer que a obra merece o nosso respeito.

Na trama de GRAVE, Justine (Garance Marillier) é uma jovem recém-ingressa na faculdade de Veterinária, onde sua irmã mais velha, Alexia (Ella Rumpf), também estuda. Logo na primeira noite, ela é vítima dos trotes aplicados aos calouros pelos demais universitários. Trata-se de uma maratona de situações incômodas, como ser banhado com sangue de animais e ter que comer carne crua. Isso para quem é vegetariano é bem perturbador. Para Justine, que vem de uma família de veterinários e também de vegetarianos, não é nada fácil.

O problema é que Justine descobre, a partir desse primeiro contato com um tipo de alimento que não lhe era familiar, uma compulsão pela carne, especialmente a carne crua. Assim, ter que atacar a geladeira de seu quarto, com quem divide com um rapaz gay, não é nada perto do que virá a seguir. Como o filme também lida com a questão do desejo sexual, Docournau junta a fome com a vontade de comer.

E, nisso, temos algumas cenas bem memoráveis, como a tentativa de Justine de perder a virgindade, ou a cena em que a irmã quer ajudá-la a fazer uma depilação com cera para se preparar para uma noite de sexo com algum rapaz. O que se sucede depois dessa tentativa de depilação é um dos pontos altos do filme. Assim como a cena de sexo em que Justine tenta se esforçar para não comer, literalmente, o parceiro sexual. Trata-se, aliás, de uma das mais sensuais cenas de sexo do cinema mainstream recente, contaminando o público com essa vontade de morder e arrancar pedaço.

Há quem vá achar que o filme se encaminha para uma conclusão um pouco exagerada no sangue e no gore, mas o que eu vejo ali é mais uma sutileza dentro do chamado cinema extremo. Há uma beleza nos enquadramentos, nas cores, principalmente no vermelho, que faz com que GRAVE seja desses filmes que marcam. Como o filme já está dando muito o que falar pela internet e sendo bastante visto pelos fãs do cinema de horror desde sua boa repercussão em Cannes, se há uma distribuidora que o comprou é bom que arranje logo uma data para exibição. Até porque as pessoas que gostaram do filme em casa vão querer rever no cinema para experienciar e também para ver a reação de uma audiência, de preferência lotada.

Porém, um dos possíveis agentes complicadores da distribuição do filme no Brasil, infelizmente, é o fato de ser falado em língua francesa. São raros os filmes de horror franceses que chegam ao circuito em uma quantidade de cópias que alcance um público amplo, o público dos shoppings. Por isso, ao que parece, o destino do filme de Julia Docournau será mesmo a telinha.

quinta-feira, agosto 03, 2017

MULHER SATÂNICA (The Devil Is a Woman)

Não sei o que mais me deixou irritado neste filme: a personagem de Marlene Dietrich, Concha Perez, que faz gato e sapato de um homem (de bem mais de um homem, na verdade), ou se do infeliz que não consegue virar a página, o Capitão Don Pasqual Costelar, vivido por Lionel Atwill. Pensando bem, quem mais merece mesmo o nosso desprezo é o tal homem, que não consegue dominar seu coração.

O problema é que em MULHER SATÂNICA (1935) Marlene Dietrich já nem estava tão bela quanto nos trabalhos anteriores de Josef Von Sternberg. Se fosse uma femme fatale mais bela talvez nós entendêssemos um pouco mais a obsessão de Pasqualito (como Concha costuma chama o homem, meio que carinhosamente, meio que tirando sarro do coitado, que fica mendigando seus beijos e só recebe traições ou enganações em troca.

O drama de Don Pasqual é narrado, em parte, em um longo flashback, a outro homem, Don Paquito (Edward Everett Horton), que seria supostamente mais uma vítima dos feitiços de Concha, nesta trama que se passa durante a revolução na Espanha, no século XIX. Na verdade, a intenção de Don Pasqual era espantar o novo rival, mais jovem e belo do que ele.

Como se trata de um filme de Sternberg, já se espera todo um trabalho de direção de arte bem cuidada, como foi o caso, principalmente, do anterior, A IMPERATRIZ VERMELHA (1934), o mais barroco de todos os trabalho do diretor. Em MULHER SATÂNICA os cenários são bem menores e econômicos, mas o diretor consegue nos deixar dentro da ação com poucos recursos. Vemos poucos lugares: a casa onde mora Concha, o local do carnaval do começo do filme ou a estação de trem, tudo mostrado numa espécie de filtro. Gostei particularmente de uma cena de chuva.

Mas, no geral, parece que o cineasta já se cansava de trabalhar com Dietrich e vice-versa. Por outro lado, ela tem uma representação tão forte no cinema do diretor que imaginá-lo sem sua musa é até difícil, por mais que muitos elogiem seu trabalho seguinte, o ambicioso CRIME E CASTIGO (1935), adaptação do famoso romance de Dostoiévski.

A despedida da parceria Sternberg-Dietrich representa um fechamento de um ciclo bem interessante, em que a mulher é mostrada muitas vezes em situação de poder. Já começou assim no primeiro filme que fizeram juntos, O ANJO AZUL (1930), mas a versatilidade de Dietrich se mostrou bem mais atraente quando ela encarnou mulheres mais sensíveis e apaixonadas, como foi o caso de seus papéis em MARROCOS (1930) e DESONRADA (1931), não por acaso filmes em que ela aparece com uma beleza bem mais digna de nota.

MULHER SATÂNICA é também mais um exemplo do interesse do cineasta por locais exóticos. Por mais que percebamos uma visão bem estereotipada do povo espanhol, não dá para negar que há também um fascínio do diretor pelo estrangeiro, que funciona mais uma vez aqui para oferecer combustível para a construção de mais uma extravagância visual na obra de Sternberg.

terça-feira, agosto 01, 2017

PLANETA DOS MACACOS - A GUERRA (War for the Planet of the Apes)

O terceiro filme da trilogia dos macacos (se é que não haverá um quarto) traz mais luz e também mais sombras para explicar os acontecimentos que trouxeram a extinção do homem como ele é conhecido e a evolução dos macacos como seres inteligentes e governadores da Terra, como mostrado no clássico O PLANETA DOS MACACOS (1968), de Franklin J. Schaffner. A ideia de criar uma série de filmes que levasse a contar a história que levou a essa situação, afinal, foi muito feliz.

O sucesso de PLANETA DOS MACACOS - A ORIGEM (2011) e principalmente do ótimo PLANETA DOS MACACOS - O CONFRONTO (2014) nos trouxe a este inevitável terceiro filme. Aliás, O CONFRONTO pode ser visto como um dos grandes marcos recentes do uso do CGI. O modo como foram construídos de maneira tão realista os símios é de tirar o chapéu. Sem falar que havia um tom muito sombrio naquela história em que torcemos pelos macacos e admiramos o grande líder César (Andy Serkis).

Por isso, quando chegamos em PLANETA DOS MACACOS - A GUERRA (2017), novamente dirigido por Matt Reeves, já estamos até acostumados com esses efeitos visuais perfeitos que se confundem e se misturam com naturalidade às figuras dos humanos, dessa vez bem poucos. Afinal, a humanidade está cada vez mais entrando em extinção. Algumas surpresas acontecem, embora sejam surpresas que já pudessem ser esperadas pelo andar da carruagem. Uma delas é explicar o processo dos macacos se tornando cada vez mais eloquentes (que bela sacada o personagem do Bad Ape!) e os humanos perdendo a capacidade de falar e de raciocinar.

E temos o representante da resistência humana, vivido por um Woody Harrelson com pinta de Coronel Kurtz, o personagem de Marlon Brando em APOCALYPSE NOW. A semelhança é proposital, bem como a alegoria com a figura do próprio Deus bíblico. Harrelson matou o único filho para que a humanidade fosse salva. Pelo menos é assim que ele se vê. Isso porque ele percebe que o contato entre os humanos doentes poderia ser fatal.

E por isso ele compra guerra com o maior dos líderes dos grupos símios, o honrado César, que quis viver em paz com sua família e sua tribo até ter sua paz totalmente perturbada pelo inimigo. E assim César alimenta um ódio que o torna semelhante ao seu inimigo no segundo filme, o enraivecido Koba. Por isso César deseja enfrentar o assassino de sua mulher e de seu filho sozinho, como se fosse a última coisa a fazer na vida. A trajetória do herói atormentado não é fácil, mas talvez falte ao filme um pouco mais de capacidade de nos colocar no lugar de César e dos demais macacos, inclusive dos que estão presos. A trilha sonora de Michael Giacchino tem a sua eficiência, mas às vezes passa a impressão de querer forçar o sentimentalismo e o tom de tragédia.

De todo modo, PLANETA DOS MACACOS - A GUERRA tem inúmeras qualidades e encerra de maneira muito digna essa nova visão de um clássico que foi contado pelo ponto de vista dos humanos e que agora pode ser visto como uma metáfora dos Estados Unidos da era Trump, com o muro de proteção militar e o preconceito gigantesco. Mas o contexto político do filme só funciona bem porque a direção de Matt Reeves é mais uma vez bem-sucedida.