terça-feira, outubro 18, 2016

NARCOS – SEGUNDA TEMPORADA (Narcos – Season Two)























Um êxito e tanto esta segunda temporada de NARCOS (2016). Conseguiram superar a primeira, mostrando, desta vez, Pablo Escobar (Wagner Moura) acuado, ferido feito um animal selvagem, e por isso mesmo ainda mais perigoso. Se na temporada passada, ele já aprontou coisas terríveis, como plantar bomba em avião e dar sumiço em corpos de seus inimigos com requintes de crueldade, nesta, então, ele consegue se superar.

Ao mesmo tempo, vamos nos aproximando do lado mais humano de Pablo, à medida que ele vai ficando mais infeliz e menos poderoso, graças ao cerco que ele enfrenta tanto dos agentes da lei (os americanos e a polícia colombiana) quanto pelos outros narcotraficantes que agora querem tomar de conta do negócio lucrativo. Por isso, chega a ser comovente algumas cenas de declaração de amor entre ele e sua esposa Tata (Paulina Gaitan, que lembra um pouco a Alessandra Negrini). Claro que não é por isso que ele vai deixar de ser um psicopata. Mas é justamente aí que está a complexidade do personagem.

Outro ponto positivo desta temporada foi a diminuição gradual do voice-over do agente americano Steve Murphy (Boyd Holbrook). Se no começo, sua narração lembrava um pouco OS BONS COMPANHEIROS e CASSINO, de Martin Scorsese, além de também servir como um link para o espectador americano pouco acostumado a ver uma série com uma língua não-inglesa em sua maior parte, aos poucos, foi-se percebendo que a narrativa dele pouco acrescentava ao desenvolvimento da trama.

Assim, quem acaba ganhando mais destaque na segunda temporada é o parceiro de Murphy, Javier Peña (Pedro Pascal), que tem muito mais manha para lidar com os perigos que envolvem o universo dos narcotraficantes. E Peña, com isso, é o segundo personagem mais carismático da série, só perdendo para Escobar. Assim, se é para torcer pela lei, que fosse por ele, mesmo quando ele se alia a um grupo de traficantes inimigos de Pablo, como ato de desespero para capturar ou mesmo matar o homem que chegou a se tornar o inimigo público nº 1 da Colômbia, especialmente quando ele começa a partir para atos de terrorismo.

No último episódio, o narrador oficial comenta sobre o aspecto de realismo mágico que a Colômbia possui, lembrando de Gabriel García Marquez, depois do tanto de absurdo que presenciamos ao longo de 20 episódios. Mas antes disso, vale destacar o tom do penúltimo episódio, "Nuestra Finca", que conta com uma participação bem generosa de Gilberto Orejuela, no papel do pai de Pablo. Trata-se de um episódio mais contemplativo, em que o personagem ganha contornos mais ricos, com Wagner Moura, ainda mais gordo (e barbudo), podendo explorar melhor seu aspecto decadente.

A série acaba encerrando muito bem a trama envolvendo Escobar, com uma tensão e desespero fortes de ambas as partes envolvidas no conflito. A Netflix está de parabéns por poder contar essa história com o tempo que lhe é possível e com uma produção esmerada e um elenco notável. Ainda que muitos possam reclamar de atores mexicanos demais (e vários argentinos também) para uma trama que se passa na Colômbia, não há como negar o quanto a produção ficou rica na reconstituição e intensa nas cenas de explosão de violência e paixão. Podiam ter parado por aí, mas mais outras duas temporadas já foram encomendadas. Desejo boa sorte aos criadores, roteiristas e demais envolvidos.

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