quarta-feira, novembro 27, 2013

QUATRO CURTAS



Os curtas abaixo foram vistos, em sua maioria, porque serviram de ensaio ou de inspiração para longas-metragens que os sucederam. A exceção é NOITE E NEBLINA (1955), de Alain Resnais, que foi visto com um empurrãozinho da edição especial dedicada ao cinema da revista Superinteressante.

NOITE E NEBLINA (Nuit et Bouillard) 

Quem viu HIROSHIMA, MEU AMOR (1959) pôde sentir um arrepio causado pelas cenas que mostram o museu com os restos mortais de algumas vítimas da bomba atômica de 1945. Pois NOITE E NEBLINA é muito mais devastador para o nosso espírito. Pode-se dizer que é um filme de horror, com a diferença que tudo que está sendo mostrado é verdade. Imagens chocantes dos judeus esqueléticos e tratados como lixo, sejam vivos, sejam mortos, sejam empilhados em uma cova ou em um dormitório. A narração é do poeta Jean Cayrol, um sobrevivente dos campos de concentração, que torna tudo ainda mais incômodo, mas também lírico. Uma obra-prima que nos faz lembrar até que ponto a maldade humana é capaz de chegar.

MAMÁ

O cartão de visitas de Andrés Muschietti, MAMÁ (2008) é um curtíssimo filme sobre duas irmãs que se assombram com a chegada de uma criatura horripilante e misteriosa que elas chamam de "mamãe". O domínio do diretor na construção de uma atmosfera de horror em tão pouco tempo é admirável. E deixou admirado também Guillermo Del Toro, que o contratou para dirigir o belo e geralmente subestimado MAMA (2013), que pôde explorar não só o horror mas também o melodrama.

RITA 

Outro curta que se mostrou a base para um longa-metragem de estreia, RITA (2009), dos diretores Fabio Grassadonia e Antonio Piazza, conta a história de uma garotinha cega que teve sua casa invadida e sua família chacinada por um bandido mafioso. Posteriormente, ela acaba tendo uma relação de maior proximidade com o assassino. A trama foi ampliada em SALVO – UMA HISTÓRIA DE AMOR E MÁFIA (2013), que revela o apuro técnico cada vez mais sofisticado dos diretores, mas que ainda sofre de problemas de dramaturgia, construção de personagens etc.

EMAK-BAKIA 

O que me fez ir atrás deste curta vanguardista de Man Ray foi um filme basco de título bem semelhante, EMAK BAKIA (2012), dirigido por Oskar Alegria e vencedor dos prêmios mais importantes do Cine Ceará 2013. O filme de Alegria é mais do que uma homenagem ao curta de Ray, mas falaremos do longa em outra ocasião. EMAK-BAKIA (1926) não é fácil de descrever em poucas linhas. Nem mesmo em muitas. A não ser se visto várias vezes e fazendo apontamentos. Uma das primeiras imagens já chama a atenção: um homem olhando em um microscópio e o seu olho aparecendo em uma lente, olhando em nossa direção. As imagens que sucedem este momento são aparentemente aleatórias (flores, luzes, imagens desfocadas, o mar, peixes, uma estranha mulher de máscara dirigindo um carro) num misto de inquietude e paz que o torna único. Não à toa, Man Ray é considerado um dos maiores nomes do surrealismo do início do século XX. Os cordeiros passando pela tela, inclusive, lembram o trabalho de outro mestre surrealista: Luis Buñuel e seu O ANJO EXTERMINADOR.

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