quinta-feira, junho 27, 2013

CLIP (Klip)



Meu interesse por CLIP (2012), estreia da atriz Maja Milos na direção de longas-metragens, veio com uma postagem do amigo Raffaele Petrini, em que ele coloca o filme entre os seus favoritos de 2012. Confesso que foi a primeira vez que ouvi falar no filme, uma produção da Sérvia, país que já havia nos presenteado com o polêmico A SERBIAN FILM – TERROR SEM LIMITES, de Srdjan Spasojevic. A julgar por estas duas únicas produções vistas desse país, fica a impressão de que o lugar é pródigo em filmes extremos. No entanto, com apenas dois filmes vistos, não dá para criar nenhuma hipótese. 

CLIP (ou KLIP, pra quem quiser usar o título original) não chega a ser violento e tão extremo quanto A SERBIAN FILM, que claramente foi feito com o intuito de chocar. O filme da garota que não dá a mínima para a família, adora se fotografar e se filmar no celular com câmera e é louca por um garoto da escola é bem mais carregado de humanidade. Por mais que se julgue a personagem por sua conduta, difícil não ficar no mínimo interessado nela.

Jasna não se importa em ser tratada como objeto sexual pelo rapaz que ama, e talvez sejam as vezes em que ela é desrespeitada por ele que a gente se apega mais a ela. Não importa a sua estupidez nem o fato de ela ignorar o pai, com câncer em estado terminal. De alguma maneira, é possível entendê-la, até porque há toda uma série de possibilidades para que ela esteja agindo dessa maneira. E, como não sou psicólogo, deixo isso para quem entende.

Quanto ao sexo explícito, ele não é nada gratuito. Faz parte organicamente do filme e pode ser também uma busca por atenção por parte dos sérvios. Que até podem ser vistos como os vilões da guerra contra a Bósnia, mas não dá para culpar todos os civis. De todo modo, o filme também faz uma crítica social, de uma juventude que só pensa em si mesma, em olhar para o próprio umbigo, ou para as partes íntimas ou para a própria boca enquanto exercita o sexo oral, pela lente da câmera do celular.

Mesmo essa suposta crítica social pode ser questionada: afinal, a juventude mostrada no filme é simplesmente fútil ou tem algum motivo para agir do jeito que age? Ou são jovens agindo como quaisquer outros, em qualquer lugar do mundo? Reflexões que ficam para o espectador. Mas só se ele quiser. Afinal, há quem queira ver o filme apenas para ver as cenas picantes da bela Isidora Simijonovic. E não há nada de errado com isso.

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