quinta-feira, fevereiro 28, 2013

BOB & CAROL & TED & ALICE



Tinha quase certeza de que havia um capítulo falando sobre BOB & CAROL & TED & ALICE (1969), de Paul Mazursky, no livro Como a Geração Sexo-Drogas-e-Rock’n’Roll Salvou Hollywood, de Peter Biskind. Engano meu. Provavelmente porque o filme exala tanto o clima da “Nova Hollywood” e da contracultura. Para o ano de ’69 o livro destaca OS MONKEES ESTÃO SOLTOS, de Rob Rafelson, e SEM DESTINO, de Dennis Hopper. Os três são filmes que exploram bastante as liberdades da nova sociedade americana.

O filme de Paul Mazursky lida com as novas tendências de relacionamentos, surgidas com a liberação sexual dos anos 60. Ao mesmo tempo, o diretor brinca com o choque que certos atos podem causar em algumas pessoas, como, por exemplo, o sujeito transar com outra mulher e contar isso para a esposa. E ela aceitar numa boa e ainda contar para os amigos. Isso acontece com o casal vivido por Robert Culp (Bob) e Natalie Wood (Carol).

Os dois haviam passado por uma experiência interessante quando ele, diretor de documentários, e ela vão até um lugar em que se pratica terapia de grupo. No tal grupo, os facilitadores orientam os participantes que se abram a ponto de dizerem a verdade e o que realmente sentem por seus amigos, familiares e amantes. O que, aliás, difere dos cursos de "inteligência emocional" da atualidade, que pedem que a pessoa diga que ama a outra, mesmo que ela a odeie. Nada de ser franco, pois a franqueza pode magoar.

O fato é que Bob e Carol saem do encontro cheios de amor para dar, e demonstram o amor que sentem pelo casal de amigos Ted (Elliot Gould) e Alice (Dyann Cannon). Mas uma traição não estava nos planos, mesmo uma traição que é contada imediatamente para o cônjuge. Porém, isso faz parte da graça do filme, que vai terminar com a clássica cena dos quatro na cama, que não chega a ser exatamente um spoiler, já que está no cartaz.

Ainda assim, mesmo com essa pinta de filme moderno, ou pelo menos de filme sobre uma sociedade moderna, BOB & CAROL & TED & ALICE acaba mostrando o quanto a sociedade americana ainda é (ou era, no caso do filme) tradicionalista e nem sempre pronta para desafiar as tradições.

Nem preciso dizer que o meu interesse pelo filme veio pela presença de Natalie Wood, que aparece aqui de babydoll, de biquíni e de lingerie, mostrando suas lindas pernas. O que já é muito para uma atriz surgida ainda criança nos anos 1940, e tendo alcançado o estrelato em produções classe A da década de 50 e o auge da beleza e sensualidade nos loucos anos 60.

Nenhum comentário: