quinta-feira, março 29, 2012

FUGA PARA ODESSA (Little Odessa)



Impressionante como, já em seu filme de estreia, James Gray mostrava vigor, um apuro estético impecável, visível desde os créditos iniciais, de extremo bom gosto, e um elenco espetacular, com direito a coadjuvantes de luxo como Vanessa Redgrave e Maximilian Schell, que interpretam os pais dos dois protagonistas, o adolescente Reuben (Edward Furlong) e o assassino de aluguel Joshua (Tim Roth). Acrescente ao elenco a bela Moira Kelly, que na época tinha tudo para decolar, mas cuja carreira foi se apagando. O mesmo acontecendo com Furlong.

Já me devia uma revisão de FUGA PARA ODESSA (1994) há muito tempo. Tinha visto o filme na época de seu lançamento em vhs e achei muito "parado" e sonolento. Depois de OS DONOS DA NOITE (2007) foi que eu realmente descobri o talento de Gray, e aí pude conferir o seu trabalho anterior, CAMINHO SEM VOLTA (2000) e depois nos cinemas vi a obra-prima AMANTES (2008). Logo, com esse pequeno mais extremamente nobre currículo, Gray se firma como um dos cineastas mais importantes da atualidade. O problema mesmo foi o distanciamento entre o lançamento de suas primeiras obras. Esperemos que ele não nos deixe mais tanto tempo sem um de seus filmes. O próximo, ainda sem título, está prometido para estrear este ano.

Na trama de FUGA PARA ODESSA, Joshua precisa voltar para o bairro onde sua família mora e onde ele é persona non grata por causa de suas atuais atividades, que são vistas por seu pai (Schell) como sendo uma vergonha para sua família. Porém, o irmão mais novo, Reuben, é desejoso de conhecer o irmão mais velho, com quem teve tão pouco contato na infância. E não tarda para que ele venha a procurá-lo. O filme já anuncia desde o começo uma iminente tragédia familiar e há também o fato de a mãe dos dois garotos (Redgrave) estar com câncer em estágio terminal. Como podemos ver nas obras seguintes de Gray, o tema da família está sempre presente, seja para valorizá-la, seja para mostrá-la como um elemento castrador.

Ver o filme em scope e em qualidade digital faz toda a diferença para uma melhor apreciação, já que as chances de ver este filme no cinema são muito remotas. Ainda que eu considere FUGA PARA ODESSA menos brilhante que os trabalhos seguintes de Gray, é uma estreia e tanto de um diretor. Certamente, uma das mais inspiradas estreias de diretores surgidos nas últimas décadas.

P.S.: No blog do Diário do Nordeste, a matéria "Por onde andará Mike Figgis?". Veja AQUI.

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