terça-feira, março 23, 2010

UM HOMEM SÉRIO (A Serious Man)



As minhas férias começaram. Não exatamente da maneira que eu queria e com alguns problemas de saúde me afligindo, mas já estou melhor e vamos que vamos que o tempo não espera ninguém. Recomecemos com este UM HOMEM SÉRIO (2009), dos irmãos Joel e Ethan Coen, um dos concorrentes à categoria principal do Oscar 2010. Na verdade, tratava-se de um peixe fora d'água entre os demais. Porém, como os irmãos Coen já ganharam Oscar duas vezes – por FARGO (1996) e ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ (2007) -, com essa moral, eles conseguiram mais uma vez ser indicados numa categoria importante com um trabalho menor, mais pessoal.

UM HOMEM SÉRIO é um filme estranho. Isso, levando-se em consideração que todos os filmes da dupla são estranhos. Mas, para o bem e para o mal, de vez em quando eles se superam. Trata-se de uma comédia que se confunde com uma tragédia. Eu, pelo menos, não consegui rir em momento algum. Pra mim, todo o drama do pai de uma família judia que é chifrado pela mulher não tem nada de engraçado. Ao mesmo tempo, também vemos o drama do filho desse senhor, uma criança rebelde e que pode representar o novo país que estaria surgindo.

Pena que o filme não deixe muitas lembranças, apesar de ser formalmente muito interessante. O que fica de mais forte é sempre a expressão do protagonista, que fica se perguntando o que está acontecendo com sua vida, diante das várias chibatadas que recebe de todas as frentes. Assim, é com um misto de resignação e revolta que acompanhamos a sucessão de eventos desagradáveis na vida desse homem. Como se ele representasse a raça judia, que traz uma história tão cheia de desventuras e desgraças. E tão poucas glórias. Não deixa de ser uma triste ironia para um povo que se diz o escolhido de Deus.

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