segunda-feira, março 29, 2010

LEMBRANÇAS (Remember me)



Hoje foi um dia bem agitado. Cheio de afazeres, consegui um espaço no começo da tarde para ver um filme no cinema. Mas sabe aquelas vezes em que você paga pra ver o filme e pensa que talvez fosse melhor negócio ficar em casa? Pois é. Até preferiria ver O LIVRO DE ELI, mas quando cheguei a sessão já tinha começado. Então, foi este LEMBRANÇAS (2010) mesmo. A boa notícia é que, mesmo com todas as expectativas baixas e com uma baita má vontade, o filme até que que me tocou em alguns momentos. E ainda gostei do final, que foi pra mim, que tenho uma memória fraca, até surpreendente. Lembrei que alguém tinha comentado por alto o final do filme pelo twitter. Que eu não vou entregar aqui, podem ficar tranquilos.

Outra coisa: eu ando tão desligado – pra não dizer que ando cheio de preocupações – que ficava dizendo para mim mesmo: "essa menina é a cara da Emilie de Ravin", a Claire de LOST. Se não checasse a ficha do filme na internet agora há pouco meu texto conteria algo como: "a protagonista do filme é uma espécie de versão mais jovem da Emilie de Ravin." Acho que a atriz iria gostar de saber que convenceu na idade menor do que ela tem.

LEMBRANÇAS é o tipo de filme que jamais estaria sendo veiculado nos cinemas se não fosse o sucesso de Robert Pattinson. A produção, bastante modesta, é muito parecida com alguns filmes lançados diretos em vídeo. Allen Coulter, o diretor, também não lembrava quem era. Vi que ele tem no currículo a direção de doze episódios de FAMÍLIA SOPRANO. Fora isso, ainda dirigiu episódios de SEX AND THE CITY, DAMAGES, ROMA, A SETE PALMOS, NURSE JACKIE e nos anos 90 ARQUIVO X e MILLENNIUM. Muita coisa boa.

Também impressionante o fato de a estreia brasileira acontecer no mesmo dia da estreia americana. Lembro que a filha de um amigo meu, uma adolescente que adora Pattison e CREPÚSCULO, havia me perguntado, através dele, quando o filme estrearia. Vi no IMDB a data e imaginei que aqui demoraria mais tempo para chegar. Estou ficando velho e ingênuo para entender a política de mercado, mesmo de algo de que eu gosto tanto.

O melhor aspecto do filme é mostrar dois jovens com profundas mágoas e traumas. O primeiro deles é mostrado logo na introdução, quando vemos a pequena Ally vendo sua mãe ser assassinada por dois ladrões de bolsa numa estação de metrô. O segundo trauma, o do personagem de Pattinson, não é mostrado. Ficamos sabendo com o desenrolar da trama. Ela, filha de um policial (Chris Cooper) que encarcera Pattison por causa de uma briga de rua; ele, filho de um advogado bem sucedido (Pierce Brosnan). Ele guarda mágoa do pai principalmente por ele não dar a devida atenção à sua irmã caçula, uma garotinha que sofre com a maldade das colegas da escola.

Por incrível que pareça, a performance que eu mais gostei no filme foi de Pierce Brosnan, ator que eu nunca gostei, nem mesmo como James Bond. Na figura de um pai ausente, mas que também sente a dor da ausência do filho mais velho, ele rouba as cenas nas vezes em que aparece. Já Cooper, por melhor que seja, me pareceu um pouco deslocado. No saldo geral, o filme poderia ter arriscado mais, ter apostado mais no melodrama rasgado. Vai ver o diretor Allen Coulter, que pode ser considerado já um veterano da televisão, não esteja acostumado a condensar dramas num intervalo de apenas duas horas de duração.

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