quarta-feira, agosto 29, 2007

A MÚMIA (The Mummy)























Continuando minha pequena viagem pelos filmes de horror da Universal, chega a vez de A MÚMIA (1932), estréia de Karl Freund nos Estados Unidos como diretor. Freund já havia trabalhado na Universal como fotógrafo de DRÁCULA (1931) e ASSASSINATOS DA RUA MORGUE (1932), mas ele é mais celebrado por suas colaborações com o diretor F.W.Murnau, na Alemanha. Uma das vantagens de se ver esses filmes da Universal em ordem cronológica e com a ajuda de documentários explicativos e comentários em áudio é que a gente tem uma noção melhor da evolução do gênero na companhia. Nota-se, por exemplo, que A MÚMIA é muito melhor resolvido narrativamente que DRÁCULA e FRANKENSTEIN (1931). O filme também conta com uma cena excepcional e marcante, que é aquela em que Im-ho-tep abre os olhos. A cena é mostrada sem pressa, com uma variedade de planos e um silêncio sepulcral.

Nos anos 20 e 30, o Egito estava na moda, devido principalmente à descoberta da tumba de Tutankhamon. Em 1930 saiu uma matéria no The Times ligando a morte de 14 pessoas vinculadas à tal tumba. Suspeitava-se de uma maldição. Muito interessante ver como é que essa história de maldição de múmias, que já faz parte do nosso inconsciente coletivo, surgiu. Como terror, o filme também se beneficia do pavor natural de se imaginar ser enterrado vivo, como é o caso da história de Im-ho-tep, interpretado de forma marcante por Boris Karloff.

Assim como havia acontecido com DRÁCULA e com FRANKENSTEIN, novamente a Universal apresenta um monstro fácil de a platéia simpatizar. Afinal, A MÚMIA também é uma história de amor, um amor que atravessa muitos séculos. Não diria que é um amor muito saudável, já que lida com maldições, morte, feitiçaria, mas ainda assim é amor. Tanto que a própria música tema que aparece nos créditos já prevê um pouco isso. O interesse amoroso de Im-ho-tep foi interpretado por Zita Johann, uma atriz de aparência exótica, de rosto redondo como a lua, como se nascida com o signo de câncer no ascendente. No filme, ela é a reencarnação da princesa Anck-es-en-Amon, o amor proibido de Im-ho-tep.

"Dear Mummy", o documentário presente nos extras do dvd mostra interessantes semelhanças entre DRÁCULA e A MÚMIA, além de nos situar no momento em que o filme foi produzido e citar rapidamente as várias continuações - A MÃO DA MÚMIA (1940), A TUMBA DA MÚMIA (1942), A SOMBRA DA MÚMIA (1944), A PRAGA DA MÚMIA (1944), além da participação da múmia numa comédia de Abbot and Costello. Acredito que nenhuma dessas continuações seja melhor que o original. Suspeito, inclusive, que quando a Universal começou a apelar para essas continuações iniciou-se a decadência do gênero na companhia.

P.S.: Hoje o blog completa cinco anos. Tenho muito amor por essa página e por mais que eu tenha passado momentos em que não tinha muito saco pra escrever, nunca pensei em abandoná-lo. E não pretendo que isso aconteça tão cedo. O Diário de um Cinéfilo é hoje um dos blogs de cinema mais duradouros da internet. E como sou do tipo que tem medo de mudanças, nem mesmo tive coragem de mudar a roupagem da página. Quem sabe no futuro...

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