segunda-feira, junho 18, 2007

TWIN PEAKS - A SEGUNDA TEMPORADA (Twin Peaks - The Second Season)























Depois de quase vinte anos de espera, finalmente, na noite desse último sábado, pude terminar de assistir a segunda temporada de TWIN PEAKS (1990/1991), a série mais revolucionária da história da televisão. Sinceramente, acho difícil ver até o final do ano algo tão bom e tão impactante quanto o último episódio da série, dirigido de forma genial por David Lynch. E pensar que aquilo passou na tv aberta! Se teve uma coisa que eu não gostei nesse episódio final foi a duração. Esperava que ele tivesse a mesma duração do primeiro episódio da segunda temporada, isto é, pelo menos uma hora e meia. Quer dizer, eu estava esperando ainda quase uma hora de TWIN PEAKS e, de repente, a série acaba. Eu me senti como uma criança que tem o seu doce tomado por um adulto malvado. Ainda estou me recuperando do trauma.

A segunda temporada é dividida em duas partes muito bem delineadas. A primeira parte continua a trama desenvolvida na curta primeira temporada e lida com o mistério da morte de Laura Palmer. No meio da temporada, esse mistério é resolvido, embora muitas perguntas continuem no ar. Depois desse fantástico episódio, também dirigido por Lynch, a série fica meio morna, como se tivesse de ressaca, tentando se manter firme graças principalmente ao carisma de seus personagens. Demoraria alguns episódios para que TWIN PEAKS voltasse a ser tão empolgante quanto antes. É quando começa o arco dedicado a Windom Earle, o ex-parceiro de Dale Cooper que vai até Twin Peaks para se vingar do agente. Seus planos são macabros e ele tem uma forte atração pelo lado mais sombrio do mundo dos espíritos. Sua principal obsessão é entrar no black lodge, um lugar extradimensional onde habita o espírito demoníaco BOB e o homem de outro mundo (o anão), entre outras figuras sinistras e conhecidas de quem acompanha a série.

A segunda temporada começa resolvendo alguns ganchos, sendo que os principais são: o tiro no peito do Agente Dale Cooper, o incêndio na serraria e Audrey tendo que encarar o próprio pai no bordel. A melhor resolução, a mais lynchiana, é a do tiro no peito de Cooper. Enquanto ele está lá deitado no chão, ele vê novamente o Gigante que lhe dá outra de suas dicas enigmáticas. Depois aparece um velhinho que supostamente trabalha no hotel. O velhinho é meio "lelé" e fica sem entender a gravidade do ferimento de Cooper. O que ele sabe fazer é sorrir e acenar com o polegar. Essa seqüência é narrada de maneira bem lenta e atmosférica. É também um belo exemplo de como ser engraçado e assustador ao mesmo tempo, coisa que só Lynch é capaz. O velhinho funcionário do banco do último episódio seria meio que uma repetição do velhinho do hotel. Parece que Lynch gosta de velhinhos lentos, já que fez um filme inteiro dedicado a um deles - HISTÓRIA REAL (1999). O episódio que encerra essa primeira parte da temporada é outro primor, onde indiretamente reconstituímos a morte de Laura Palmer, através da morte de sua prima, Maddie.

Da série, só não gostava muito das tramas envolvendo a Catherine. Não gostava nada dela. Pra mim, era uma personagem que poderia ser descartada facilmente da série. Tudo bem que ela era uma vilã odiável, mas prefiro vilãos ao mesmo tempo odiáveis e fascinantes, como o BOB ou o Windom Earle. Também não era muito fã de Josie e da trama envolvendo a serraria e a disputa por poder com Benjamin Horne. Além de Dale Cooper, do Xerife Truman e das investigações, o que eu mais gostava/gosto na série é do núcleo jovem, constituído por Donna, James e Maddy; Shelly e Bobby; e Audrey Horne. Depois apareceria a adorável Annie (Heather Graham), que seria o par romântico de Cooper. Quem ganha também um par é a Audrey, com o aparecimento de Jack (Billy Zane). Audrey, inclusive, vai ficando cada vez mais interessante à medida que vai amadurecendo. O amor e o sofrer fazem isso com ela.

Poderia ficar falando do elenco e dos episódios por horas, mas ia ficar muito chato para os leitores, então vamos encerrando por aqui. Não sem antes deixar algumas dúvidas, meio que spoilers: quem é o anão? O black lodge fica vizinho ao white lodge? Afinal, a alma de Laura Palmer foi condenada? Achava que ela tinha encontrado a paz. Ou será a Laura Palmer do episódio final uma versão maligna da outra? Se o espírito de BOB tomou conta de Cooper, então, como ele se encontraria com Laura e o anão 25 anos depois? Suspeito que Lynch ainda havia planejado mais coisas para sua tão amada série, mas a NBC resolveu cancelar a obra por causa da fraca audiência. Coisas da televisão.

Quanto aos extras, são poucos, mas são todos bons. Basicamente, entrevistas com o elenco e com alguns dos diretores. Infelizmente, Lynch não participa dos extras, meio que uma forma de ele manter o mistério, não falando nada sobre o seu trabalho. Interessante ver os atores e atrizes mais velhos, ver a mudança que o tempo fez com eles. Sherilyn Fenn continua muito bonita, bem como Mädchen Amick.

Nenhum comentário: