domingo, julho 30, 2006

O AMOR EM CINCO TEMPOS (5x2)



O AMOR EM CINCO TEMPOS (2004) foi o primeiro filme que vi assim que cheguei em São Paulo, nessa viagem que já me deixa saudades. Gosto muito dos filmes de François Ozon. Esse é o quinto filme do diretor que eu tive o prazer de assistir. Uma das principais características de seus filmes está na dúvida que nos vêm à mente relativas à qualidade e à relevância de sua obra. No caso de O AMOR EM CINCO TEMPOS, qual o objetivo de se contar esse filme de trás para a frente, já que esse recurso não é totalmente novo? Os exemplos mais fáceis de lembrar são: AMNÉSIA, de Christopher Nolan, e IRREVERSÍVEL, de Gaspar Noé.

O filme de Ozon não tem a intenção de confundir a cabeça do espectador como o filme de Nolan, nem de chocar a audiência como o filme de Noé. Pode-se dizer que, assim como no filme de Noé, há um pessimismo ao mostrar o fim e depois o início de uma relação. Mas tudo é mostrado com certa naturalidade, como se aquilo tudo fizesse parte do curso natural da vida. O que podemos fazer é aproveitar a vida ao máximo. Há, é claro, uma certa melancolia presente no filme, mas, ao mesmo tempo, sentimos que o filme valoriza cada momento da vida do casal. Desde a transa no motel após o fim do divórcio até o momento em que os dois iniciam o namoro numa cidade litorânea, passando pela seqüência em que o homem não consegue enfrentar a mudança brusca da paternidade.

A mudança no aspecto físico dos dois protagonistas durante os cinco atos é muito bem trabalhada. Detalhes como o corte de cabelo de Marion (Valeria Bruni Tedeschi) ou o uso da barba no personagem Gilles (Stéphane Freiss) funcionam para sugerir a passagem do tempo. Como era de se esperar de Ozon, há uma tendência em explorar melhor a personagem feminina - Ozon disse numa entrevista que acha mais fácil trabalhar com atrizes. Por isso, dos momentos em que os protagonistas estão sozinhos, separados um do outro, os melhores são justamente aqueles que mostram Marion. Destaque para a cena da noite de lua-de-mel do casal, quando ela sai para fumar um cigarro e é abordada por outro sujeito. O AMOR EM CINCO TEMPOS é o tipo de filme em que todos os momentos são belos e importantes. O filme tem crescido bastante em minha memória afetiva.

A bela Valeria Bruni Tedeschi, o grande destaque de O AMOR EM CINCO TEMPOS está presente no próximo Ozon a estrear nos cinemas brasileiros: O TEMPO QUE RESTA (2005), filme que mostra os últimos momentos da vida de um rapaz gay que sofre de uma doença fatal. Será que é um pouco parecido com IRMÃOS, de Patrice Chéreau?

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