quarta-feira, maio 31, 2006

TRÊS ENTERROS (The Three Burials of Melquiades Estrada / Los Tres Entierros de Melquiades Estrada)



Que bela estréia a de Tommy Lee Jones na direção (em cinema). TRÊS ENTERROS (2005) é um dos melhores filmes do ano. Tem o sabor dos melhores westerns. Compararam com Clint Eastwood, mas talvez seu filme tenha mais a ver com os westerns noir de Anthony Mann. Há também semelhanças com os filmes de Sam Peckinpah. Independente do que possa parecer, o filme de Lee Jones é um primor narrativo e visual que equilibra muito bem a sensibilidade e a aspereza. Vai ver o cineasta/ator é como Eastwood ou Ford: uma pessoa aparentemente rude mas de coração mole.

TRÊS ENTERROS conta a história de um homem que leva o cadáver do seu amigo e o seu assassino para fazer um enterro justo e para cumprir uma promessa que ele havia feito para o amigo morto. O primeiro ato do filme se parece muito com os trabalhos de Alejandro González Iñárritu, muito por causa do roteiro escrito por Guillermo Arriaga, já conhecido por fazer histórias fragmentadas e não-lineares. Não tenho nada contra esse tipo de abordagem - até gosto dos filmes do Iñarritu -, mas o filme cresce muito mais quando passa a utilizar uma narrativa linear.

Barry Pepper tem a melhor performance de sua carreira como o guarda da fronteira inexperiente que mata por acidente o vaqueiro mexicano. Sua viagem forçada, ao lado do cadáver e do justiceiro, funciona como uma forma de expurgar os seus pecados. Ele come o pão que o diabo amassou nessa travessia. Confesso que nunca tinha prestado atenção na performance de Pepper nos outros filmes. Nem lembro direito dele em A ÚLTIMA NOITE, de Spike Lee. Acredito que agora, depois desse filme, ele vai ganhar maior projeção. Pepper está no elenco do novo Eastwood, FLAGS OF OUR FATHERS, mas não sei se o seu papel é de destaque.

Os coadjuvantes também têm seus momentos de brilhar. Especialmente as duas mulheres: a garçonete que chifra o marido para fugir do tédio da pequena cidade e a esposa do personagem de Pepper. Não sei se é influência de O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN, mas eu senti uma leve conotação homo nos flashbacks que mostram a relação de amizade entre o personagem título e Tommy Lee Jones.

Pena que a sala onde eu vi o filme (Sala 1 do Espaço Unibanco Dragão do Mar) não estava com uma qualidade boa de projeção. Mas como era o único lugar possível para se assistir ao filme na cidade, não posso reclamar muito.