quinta-feira, dezembro 01, 2005

O HOMEM ELEFANTE (The Elephant Man)



Maravilhoso. Esse foi o adjetivo que primeiro me veio à mente ao final de O HOMEM ELEFANTE (1980), enquanto lágrimas rolavam. Tive o imenso prazer de rever essa obra-prima do genial David Lynch, dessa vez em seu formato correto, em glorioso scope. Desse modo, foi como se eu tivesse visto o filme pela primeira vez. Não sai da minha cabeça a imagem das estrelas no final, cena que seria também utilizada belíssimamente em HISTÓRIA REAL (1999). Outra cena comum em outros filmes de Lynch, como VELUDO AZUL (1986) e CIDADE DOS SONHOS (2001), e que também aparece em O HOMEM ELEFANTE, é a da câmera adentrando a escuridão. Ainda que se note muito de Lynch no filme, O HOMEM ELEFANTE é um de seus trabalhos mais diferentes e que deve agradar até mesmo quem não embarca facilmente na obra do mestre.

Acho que depois que li "Do Inferno", de Alan Moore, fiquei mais fascinado pela Inglaterra vitoriana. Inclusive, na graphic novel de Moore, John Merrick, o "Homem-Elefante" chega a aparecer também. E Lynch faz um retrato deslumbrante da Inglaterra, utilizando uma fotografia preto e branco que lembra o expressionismo alemão, com muito jogo de luz e sombras.

O filme nos pega aos poucos, ainda que seja o tipo de obra que já agrada desde o início. Primeiro somos atraídos pela curiosidade, já que não nos é mostrado inicialmente as feições de Merrick (no filme, interpretado por John Hurt). Mal sabia eu que, assim como Anthony Hopkins, na primeira vez que chega ao circo para ver a maior das aberrações anunciadas, também eu estaria chorando meia hora mais tarde. Mas isso acontece quando descobrimos que Merrick não só fala como também é extremamente inteligente. Como bem disse Lynch sobre o filme, O HOMEM ELEFANTE é sobre uma alma linda presa num corpo horrendo.

Como não ficar comovido com a cena em que Merrick é levado para conhecer a esposa do personagem de Hopkins? Me emociono só de lembrar. Na minha vida, assisti poucos filmes assim tão cheios de humanidade quanto esse. O personagem de Hopkins é de uma extrema nobreza, principalmente quando questiona suas reais intenções em relação a Merrick. Seria ele igual ao homem que maltrava o pobre coitado, o exibindo como atração de circo, preso numa jaula? A diferença talvez estivesse na gentileza e nos bons tratos que ele prestava a um homem que nem mesmo dormir deitado podia. Vendo o filme, nos questionamos a respeito de nossos atos: o que faríamos se nos encontrássemos com alguém como Merrick? Provavelmente agiríamos com horror e repulsa. Infelizmente.

O DVD de O HOMEM ELEFANTE está disponível nas bancas e é ítem obrigatório na coleção de qualquer cinéfilo que se preze.

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