terça-feira, dezembro 20, 2005

KING KONG



E eis que finalmente estréia o tão aguardado KING KONG (2005), de Peter Jackson. Desde a primeira vez que vi o trailer, que pus o filme entre os mais aguardados do ano. Talvez por isso que eu tenha me decepcionado um pouco. Está havendo também uma decepção no quesito bilheteria. Apostaram muito e não é muita gente que está saindo de casa para ver o filme. Aqui no Brasil o gorilão está sendo exibido em 650 salas. Esperava-se um novo TITANIC. Não chegou nem perto.

Uma decisão acertada de Peter Jackson foi agir como o Spielberg em JURASSIC PARK, fazendo um pouco de suspense. Só é mostrado a Ilha da Caveira, os monstros e Kong depois de uma hora e meia de filme. O primeiro - e maior - ato do filme mostra uma excelente reconstituição dos EUA da Grande Depressão. Em destaque, um diretor de cinema picareta e obstinado (Jack Black), uma atriz de teatro desempregada e faminta (Naomi Watts) e um dramaturgo respeitado (Adrien Brody). Os coadjuvantes que vão servir de almoço para os dinos são apresentados ao chegarmos ao barco. O segundo ato é o mais movimentado dos três. Um desfile de dinossauros, insetos gigantes e outras criaturas horripilantes. Difícil não vibrar quando Kong salva a loira das garras de um dino gigante. Do terceiro ato, o que eu mais gostei foram os aviões da década de trinta parecidos com os do filme original.

Quanto aos efeitos especiais, achei-os também aquém do esperado. Pareceu muito falso nas cenas que misturavam dinossauros e homens, chegando a ser inferior a JURASSIC PARK (1993), realizado há mais de dez anos. Pelo menos, as cenas envolvendo o King Kong alcançaram um realismo maior, graças ao trabalho com o ator Andy Serkins. O peso e a violência de Kong chegam a impressionar, especialmente nas primeiras vezes em que ele aparece, antes de se apaixonar por Naomi Watts. A atriz é, com certeza, uma das melhores coisas do filme. Não consigo imaginar outra para o papel.

Mesmo assim, não fiquei nenhum pouco comovido com a história de amor entre a bela e a fera. Não chegou perto do impacto que teve em mim o clássico de 1933, mesmo com toda a distância entre as tecnologias. Acho que o problema está mesmo na sensibilidade de Peter Jackson em filmar estórias de amor. Basta lembrar de ALMAS GÊMEAS (1994), que é um filme brilhante, mas que trata o amor como algo bizarro, tornando difícil a identificação com o espectador comum. Até mesmo o amor de Sam para com seu mestre Frodo em O SENHOR DOS ANÉIS não chega a ser tão comovente quanto no livro de Tolkien. Vai ver isso é uma marca do diretor e isso ainda seja levado em consideração em futuros estudos sobre sua obra.

P.S.: O trailer de MISSÃO IMPOSSÍVEL 3, dessa vez sob os cuidados de J.J.Abrams, está empolgante!

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