quarta-feira, março 02, 2005

VIVER E MORRER EM LOS ANGELES (To Live and Die in L.A.)



William Friedkin é mais famoso por ter dirigido dois filmes muito importantes da década de 70: o horror O EXORCISTA (1973) e o thriller policial OPERAÇÃO FRANÇA (1971). Apesar de ainda ter dirigido mais um filme de horror - o interessante e climático A ÁRVORE DA MALDIÇÃO (1990) - e um episódio da série ALÉM DA IMAGINAÇÃO (versão anos 80), sua especialidade é mesmo o filme policial de ação. O homem é fera em mostrar cenas de perseguição de carros. Virou uma marca sua a partir do sucesso de OPERAÇÃO FRANÇA, e ele acabou repetindo isso em outros filmes como JADE (1995), CAÇADO (2002) e nesse clássico dos anos 80 chamado VIVER E MORRER EM LOS ANGELES (1985). Minha memória não está muito boa pra lembrar de OPERAÇÃO FRANÇA, mas se eu não me engano, a cena de perseguição de VIVER E MORRER EM LOS ANGELES é bem melhor.

Friedkin nos joga no meio do submundo da falsificação de dinheiro e de policiais que não seguem as regras de conduta como manda a cartilha. Na trama, William Petersen (que não virou um astro do cinema, mas hoje faz sucesso na TV com a série C.S.I.) é um agente do serviço secreto que tem seu parceiro assassinado pelo falsificador Willem Dafoe. Ele continua na trilha do falsificador, dessa vez do lado de um novo parceiro (John Pankow). Como o novo parceiro é mais correto, eles encontram dificuldades de se entenderem e acabam entrando numa grande enrascada. Melhor não dizer mais nada da história pra não estragar as surpresas, mas dá pra adiantar que Friedkin não economiza na violência. Outros nomes conhecidos do elenco incluem John Turturro e Dean Stockwell.

O clima anos 80 é evidente no filme, com a trilha sonora com sintetizadores e visual de videoclipe - sem falar na maquiagem e no cabelo das pessoas. A fotografia ficou a cargo de Robby Muller, o grande profissional responsável pela fotografia da maioria dos filmes de Jim Jarmusch, e que tinha acabado de fazer PARIS, TEXAS (1984), de Wim Wenders. VIVER E MORRER EM LOS ANGELES é marcado por tomadas curtas, muitos cortes, ritmo ágil.

A edição especial da MGM que saiu em DVD no Brasil valoriza bastante o filme, que é realmente uma jóia. O DVD traz a versão restaurada, em widescreen 1.85, e com vários extras. O mais importante deles é o documentário sobre o making of do filme, quando ficamos sabendo dos problemas que Friedkin teve com o FBI por causa da cena de falsificação de dinheiro, bem realista e baseada em pesquisa feita com falsificadores de verdade. Há também um final alternativo bem menos ousado que o usado na versão definitiva para cinema, mas que não deixa de ser curioso.

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