terça-feira, março 01, 2005

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (The Texas Chainsaw Massacre)



Desde o início do ano passado que se esperava a estréia de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (2003), remake do clássico de 1974 de Tobe Hopper. Já tinham me falado que o filme era bem violento, mais até que o original, mas não esperava que fosse tanto. Aqui a violência não tem uma beleza gráfica como a de PREMONIÇÃO 2, por exemplo, que por sua vez é inspirado no visual estilizado dos filmes de Fulci e Argento; no novo massacre, a violência incomoda tanto quanto o som da motosserra ecoando pela sala escura do cinema.

Como no filme original, os personagens parecem ter sido jogados num pesadelo sem fim. Aliás, o único final para o pesadelo é através da morte, como implora por ela um dos personagens, ao pedir para sua amiga o matar, estando ele pendurado num gancho pelas costas, depois de ter tido o pé amputado pela maldita serra.

Um dos destaques do filme é a bela Jessica Biel. Durante os primeiros minutos do filme, quase me esqueci que estava vendo um thriller de horror, graças às curvas da moça, que fica desfilando com elegância e sensualidade antes de começar a correr feito doida do Leatherface. Como scream queen, não é tão boa quanto a original Marilyn Burns, mas vai melhorando à medida que o filme vai evoluindo num crescendo de terror. A cena em que transpareceu mais sua ineficiência como atriz (ou algo do tipo) foi na cena do suicídio da caroneira na van. Quando ela começa a gritar, não convence - parece estar se divertindo e não com medo. Ainda assim, essa cena em si é um dos pontos altos do filme, com a câmera atravessando o buraco na cabeça da garota.

O xerife psicopata, interpretado por R. Lee Erney - o sargento maníaco de NASCIDO PARA MATAR, de Kubrick -, é tão malvado que supera o Leatherface no quesito "vilão mais odiável do filme" - se bem que a senhora gorda do trêiler, eu achei aterrorizante, lembrando até aquela velhinha sorridente de CIDADE DOS SONHOS. A cena do xerife na van com um dos rapazes, fazendo tortura psicológica e incitando ao suicídio é uma das mais incômodas do filme. É nesse clima de tortura psicológica que o filme nos leva até o final, quando somos contaminados pelo sentimento de violência. Pena que o diretor Marcus Nispel preferiu um final mais convencional, diferente daquele final brusco e charmoso do clássico de Hooper. Mesmo assim, é um filme surpreendentemente bom, principalmente levando-se em consideração que foi produzido por Michael Bay, o horrível.

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