quarta-feira, março 30, 2005

FÉRIAS DE AMOR (Picnic)



Mais um exercício de memória pra mim. Vi FÉRIAS DE AMOR (1955), de Joshua Logan, gravado da Globo, há uns dois meses e vou ter que contar apenas com o que me lembro do filme e com as informações que estou pegando da internet, que também vão servir pra refrescar minha memória. Esse é o problema de ver muitos filmes num curto intervalo de tempo, como aconteceu em janeiro, quando estava de férias. Ao contrário de agora, que estou sentindo falta de mais tempo livre para usufruir do prazer de ver filmes.

Quanto a FÉRIAS DE AMOR, talvez tenha sido um erro eu ter visto o filme dublado e mutilado, já que a fotografia em scope, a cargo do lendário James Wong Howe, perde muito com a tela cheia. Até porque o filme está disponível em DVD no Brasil pela Columbia. E em widescreen.

Na trama, o personagem de William Holden é um jovem de vinte e poucos anos que chega sem dinheiro e num trem de carga numa cidadezinha americana, a fim de recomeçar a vida. Em pouco tempo, com seu magnetismo, ele logo conquista muita gente, especialmente as mulheres. Kim Novak, que na época tinha 22 aninhos, faz o papel da garota mais bonita da cidade - o que não é difícil tendo em vista a beleza deslumbrante da moça - que logo fica caidinha pelo rapaz.

Se Kim Novak está perfeita como a garota bonita do interior, Holden, mesmo sendo um dos grandes atores americanos, está muito velho para o papel. Ele tinha 36 anos quando fez o filme. E não convence como um rapaz de vinte e poucos anos. Além do mais, não me identifiquei nem simpatizei com o seu personagem, o que de certa forma diminuiu minha apreciação pela obra.

O filme tem uma coadjuvante que rouba a cena: Rosalind Russell, que faz a solteirona desesperada. Numa das cenas mais tocantes do filme, ela bota o seu namorado na parede, dizendo que quer se casar com ele o quanto antes - os dois já estavam juntos há muito tempo. A bela interpretação de Rosalind nos faz sentir o medo da solidão e do abandono. No entanto, a cena mais importante de FÉRIAS DE AMOR é talvez a famosa cena da dança de Holden com Novak durante a festa, o que gera um escândalo, já que ela namorava um dos rapazes ricos da cidade.

Só achei que o apelo sensual do filme se dá principalmente ao fato de William Holden estar sem camisa em vários momentos - seria preferível pra mim que fosse a Kim Novak sem vestido, algo bem mais difícil de se ver em se tratando de cinema americano dos anos 50. Logo, esse erotismo sutil do filme talvez seja mais interessante para as mulheres (ou para o público gay). Digo isso, porque os últimos filmes que eu vi que exploravam corpos masculinos de maneira parecida foram OLHOS FAMINTOS 2 e MÁ EDUCAÇÃO, ambos dirigidos por cineastas gays.

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