terça-feira, maio 04, 2004

FAHRENHEIT 451



Ufa. O dia ontem foi um sufoco. Muito trabalho. Muitas pendências. Muitos aborrecimentos. Uma panela de pressão pronta pra estourar. E estourou. Felizmente não houve conseqüências graves. Se bem que ontem à noite eu tive umas dores no estômago violentas. Mas isso foi por causa do anti-inflamatório que estou tomando.

O fim de semana que passou foi mais ou menos tranqüilo. Os amigos mais desocupados puderam ir pra casa em Uruaú na sexta-feira para curtir a tranqüilidade do lugar, mas eu só pude ir na "remessa" de sábado à noite. Mas foi bom assim mesmo. O Sarau promovido pela Valéria foi um sucesso. E eu tenho que dar meus parabéns a ela, por ter tido a coragem de fazer algo que poderia ser facilmente ridicularizado pelos mais cínicos. No entanto, excetuando alguma brincadeira que atrapalhou o ritmo do encontro, tudo correu muito bem. A dinâmica sugerida pela Amanda funcionou bem e garantiu boas risadas no pier. Especialmente na cena do beijo entre Cacau e Juliana. Uma graça. As leituras dos textos foram bem interessantes, revelando particularidades de cada pessoa presente. A Rejane, bastante ligada a espiritualidade e esoterismo, assuntos que também me interessam muito, leu um texto bem interessante sobre o assunto. E foi o único texto que gerou uma discussão (religião é sempre um tema polêmico). Eu li uma poesia do W. B. Yeats, presente no livro "Sonhos de Bunker Hill", do John Fante. Foi a última poesia que realmente me tocou. Acho bonito o amor que perdura e que supera os obstáculos do tempo e da velhice, assim como gosto do tom urgente de valorização da juventude. Me senti na Sociedade dos Poetas Mortos. Agora é esperar o Eliseu disponibilizar as fotos do evento pra eu poder postar algumas aqui.

Falando em bons livros, o único filme que vi no fim de semana foi FAHRENHEIT 451 (1966), de François Truffaut. Trata-se de um filme que fala sobre um mundo onde os livros são proibidos. O filme se passa num futuro em que um governo totalitário proibe livros de todo tipo. A desculpa é que os livros deixam as pessoas anti-sociais, tristes e pensando bobagens. Os "firemen" (bombeiros) não são pessoas que salvam vidas: são homens que procuram e queimam livros. O título do filme se refere à temperatura em que o papel dos livros se extingue. É de dar pena quando os caras chegam nas casas e queimam pérolas da literatura mundial.

Truffaut, mais uma vez, demonstra o seu amor pelos livros, como já tinha sido visto no ciclo de Antoine Doinel (o personagem é um entusiasta de livros) e numa seqüência de A NOITE AMERICANA (1973). Há o respeito pelos mortos - visto com mais força em O QUARTO VERDE (1978) - num passagem do filme que fala de livros autobiográficos.

Na história, um "fireman", ao ser questionado por uma moça se nunca tivera curiosidade de ler alguns dos livros que costuma queimar, acaba pegando alguns livros escondido e descobre o prazer e o poder da leitura, dos romances. Muito bonita a cena em que ele pega um livro de Charles Dickens para ler. O final do filme é melancólico, mas esperançoso para aquela sociedade. E a gente fica aliviado ao saber que temos a liberdade de ler o que quisermos. Se bem que o preço dos livros não deixa de ser uma espécie de obstáculo para quem gosta de ler. Mas temos as bibliotecas. Quer dizer, só não lê quem não quer.

Além da direção do Truffaut, outros nomes consagrados integram a ficha técnica. A direção de fotografia foi feita por Nicolas Roeg e a trilha sonora por Bernard Herrmann, grande colaborador de Alfred Hitchcock, diretor que Truffaut considera o "cineasta por excelência".

No domingo, consegui com o Pablo a versão em pdf do livro de Ray Bradbury, em que o filme se inspira. Qualquer dia eu imprimo e encaderno para ler com calma.

Filme visto em divx.

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